Acreditar
Acreditar que posso voar sem do chão os pés tirar
Acreditar que melhor que esperar é lutar.
Acreditar que posso ser mais forte,
Com ternura lutar e se preciso for odiar.
Acreditar que posso encontrar em mim
O que desconfio noutros encontrar.
Posso desacreditar
Porque às vezes me vejo cego,
Sem, no entanto, o olhar eu tirar.
Desacreditar para melhor observar,
Reparar que as aparências enganam ou encantam.
Desiludido, iludido buscando se for preciso aos prantos o amar.
Ver não só para crer,
Exercer, enfurecer e nunca perder a essência do ser.
Estremecer de amor ou desamor,
Reviver sem esquecer que há um amanhecer.
Sem descrer que posso ver mais além
Do que meus olhos podem ver.
Sentir para fazer valer o existir.
Possuir sem ser dono.
Persistir, antes de desiludir, resistir.
Vir, sair, se retrair
Exaurir-me para jamais desistir
O que faz mesmo sentido
Só faz se feliz for meu existir.
Acreditar para fazer valer os sonhos.
Satisfazer o que meu corpo clama e o que minha alma reclama
Saber que sorrir é melhor que ferir,
Que não há existir,
Se não for pra servir.
Amar é mais que sentir,
É fazer feliz sem nunca deixar de ser.
José Valvernages de Farias. Nov./2010.
Desabafo
Eu poderia ser mais autêntico,
Se não fosse esse medo de dizer a verdade
E ter que arcar com as consequências.
Eu poderia ser mais justo,
Se não tivesse que conviver com tantas injustiças
E carregar a cruz sozinho.
Eu poderia ser mais forte,
Se não fosse as inúmeras forças que tentam me derrubar
E quase ninguém pra me levantar.
Eu poderia ser mais amigo,
Se não fosse a hipocrisia que tenho de enfrentar
E a falsidade que impera nas relações sociais.
Eu poderia ser mais combativo,
Se não fosse as conveniências que calam aqueles que se beneficiam.
Eu poderia lutar, indignar, protestar, reclamar...
Às vezes cresce uma revolta dentro mim.
Não consigo fechar os olhos para as ações inescrupulosas.
Quantos ainda precisam pagar?
A convivência com seres medíocres me incomoda.
Tenho vontade de gritar...
Porque calar é como concordar.
José Valvernages de Farias – dezembro de 2010
Janela da minha alma
É por ti que transponho insensatez
Penetro em meu íntimo.
Vou além das aparências, do previsível, do racional.
Transcendo o real sem perder o caminho.
Por ti busco desejos
Construo um mundo mais justo e feliz.
Sonhar o que a realidade humana é incapaz de pensar
Fugir do egocentrismo e com outros partilhar.
Faço loucuras sem perder a lucidez
Às vezes nem preciso olhar, basta um sentir.
Em instantes de transe superar minhas incapacidades e limitações.
Vou além... pois vejo com os olhos da alma.
Minha coragem não é em vão
Escancarar meus pensamentos e vontades.
Demonstrar que minha essência não está nas evidências
Mas naquilo que acredito e pretendo ser.
José Valvernages de Farias Nov./2010.
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